O variador de velocidade é um componente que cumpre duas funções fundamentais: permite transmitir o movimento com uma relação de transmissão constante e, além disso, permite variar essa relação de forma contínua, intervindo a partir do exterior através de um comando específico.
Este produto diferencia-se de um redutor normal pelo facto de não ter uma relação de redução fixa, mas sim uma relação de redução variável dentro de uma ampla gama. No caso de ser possível definir a velocidade zero como velocidade de saída, estes variadores são denominados de campo infinito (ou de gama infinita).
Os variadores contínuos de velocidade podem ser:
Mecânicos: A variação de velocidade é obtida mudando a posição de um elemento intermédio, especificamente aquele que acopla o veio motor e o veio conduzido.
Hidráulicos: Intervém-se modificando a pressão e o caudal de um fluido que transmite forças e deslocamentos entre os corpos acoplados aos veios motor e conduzido.
Elétricos: A variação de velocidade é obtida modificando a corrente e a tensão de um dispositivo elétrico.
Neste artigo trataremos especificamente dos variadores de velocidade mecânicos, cujos elementos constitutivos incluem um componente mecânico móvel que permite variar a relação de transmissão. Este elemento pode ser rígido ou flexível.
Variadores de elemento intermédio móvel rígido: Distinguem-se habitualmente pela forma do órgão motor, que pode ser plano, cónico ou esférico. A transmissão pode ser de eixos fixos ou de eixos rotativos.
Variadores de elemento móvel flexível: São realizados, em contrapartida, através de correias (geralmente trapezoidais ou em V) ou com correntes. Ao deslocar a posição del elemento móvel flexível, a relação de transmissão varia.
Ao analisar um variador de velocidade mecânico, existem algumas partes fundamentais nas quais se deve focar a atenção:
Os Satélites: Discos com um perfil cónico na sua secção.
As Pistas Planetárias Internas: A zona no interior da qual ocorre o contacto dos satélites, dando origem ao atrito necessário (atrito de rolamento).
As Pistas Planetárias Externas: A zona onde o contacto é livre, ou seja, isento de forças.
A atenção e a precisão no fabrico dos componentes é claramente estratégica para a durabilidade e a operacionalidade real do variador. Devido à delicadeza deste mecanismo, devem utilizar-se materiais especiais para a sua construção. Consequentemente, para os satélites e para as pistas (o coração do variador) utiliza-se um aço ligado especial chamado 100Cr6, e estes componentes devem ser obrigatoriamente retificados através de maquinaria específica.
O óleo também é especial: é necessário um ATF (Automatic Transmission Fluid), ou seja, um óleo específico para transmissões automáticas, cujo nome completo é ATF Dexron II. A velocidade de utilização situa-se habitualmente entre as 400 RPM e as 2800 RPM, e existe um binário (torque) máximo que não se deve superar sob circunstância alguma, caso contrário ocorrerá um mau funcionamento do variador de velocidade.
Entre os acessórios disponíveis para otimizar o funcionamento do variador de velocidade encontram-se:
Telecomando à Distância (Controlo Remoto): É um dispositivo que nos permite variar a velocidade sem necessidade de atuar manualmente sobre o volante tradicional. Na verdade, trata-se de um pequeno redutor ligado a um mecanismo cinemático que incorpora uma embraiagem. (Por mecanismo cinemático entende-se um sistema de componentes rígidos que, ligados entre si, criam um movimento mecânico relativo entre os elementos).
Indicador Gravitacional: Instrumento que nos permite determinar a velocidade do variador de forma bastante aproximada, uma vez que se baseia nas voltas do volante durante a regulação.
Indicador de Posição: Ligeiramente mais preciso do que o indicador gravitacional, oferece uma leitura da posição física correlacionada com a velocidade. Tal como o anterior, baseia o cálculo da velocidade no número de voltas efetuadas pelo parafuso de regulação.
Indicador de Velocidade: Este é o acessório mais preciso e exato para a medição da velocidade. É montada uma chamada roda fónica solidária ao veio de saída. O sensor, colocado próximo da roda fónica, lê os dentes e os intervalos presentes nela e, contando estes impulsos, obtemos a velocidade de saída real do variador.
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